A DESCOBERTA
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quinta-feira, abril 17, 2014
ATRAVESSANDO UM VALE DE SOMBRAS
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Desde aquele dia, 12/01/2011, depois da morte de meu filho, quando minhas mãos tocaram a face fria de meu filho e os meus olhos contemplaram o corpo inerte, sem vida de meu filho, que eu estou atravessando um vale de sombras. O fardo da tristeza é difícil de sustentar, e torna-se
ainda mais difícil carregá-lo porque nem todos entendem a minha dor, e até me
criticam...Alguns até entenderam no velório, ao lado da sepultura, no começo, alguns
meses após o ocorrido. Agora, não. Afastaram-se, parece que não me querem por
perto. Acho que não querem pensar que esta desventura que me atingiu pode
atingir qualquer pessoa...
Algumas pessoas não entendem porque o luto prolonga-se. Pois então eu vou dizer o
porquê de tamanha dor e tristeza. É que sorrateiramente, dentro de mim, as lembranças fluem e se colocam em minha vida embotando qualquer
vestígio de alegria, deixando em mim uma
sombra. Isto porque sei que fisicamente não mais ouvirei a voz do meu filho. Ouvirei apenas as canções que ela gostava...
Também não mais sentirei seu abraço apertado...que
me dava uma sensação de amparo. Não mais sentirei aquele cheiro peculiar da sua
cabeça: um cheiro de carneiro... Sentirei apenas o cheiro que ainda permanece
em suas roupas, e dos seus perfumes e do talco que ainda trago guardado...
O pesar
não me deixa, não me permite ser feliz, porque eu enterrei uma parte do meu ser...uma vida ainda com
muito para viver. Por isso a dor se prolonga, pois eu estou “lidando com amanhãs
não vividos”, com sonhos (dele e meus) não realizados, com palavras que não foram
ditas...
Algumas pessoas me dizem: “Deus fez o que era melhor”, ou, “Poderia ter sido pior”... Mas o que poderia ser pior para uma mãe do que a morte de um filho? E vítima de assassinato? Acho que todas as mães que perderam um filho de forma trágica e inesperada fazem esta pergunta.
segunda-feira, abril 14, 2014
QUE PARADOXO, UMA MÃE SENTINDO-SE ÓRFÃ...
Nenem sua vida foi abreviada de forma cruel. Você passou pouco tempo na terra, porém viveu com intensidade. Conheceu o amor que sempre lhe dediquei, e foi grato pela dedicação que lhe dispensei quando criança, pois quando todos haviam perdido a esperança de sua sobrevivência, eu desafiei a medicina e acreditei que você lutaria para sobreviver.
Sua vida foi curta, mas não foi vazia. Amou e foi muito amado tenho certeza. Duas jovens tinham por você um amor sem limites...
Existe um paradoxo em relação a dor do luto, uma vez que apesar do sofrimento, o luto nos faz sermos pessoas melhores, pois nos força a olhar as pessoas de modo diferente. Nos mostra a importância de uma visita, de refletir sobre o que vamos falar. Esta é a grade contradição: A dor nos maltrata, mas nos ensina...
O tempo passou para todos menos pra mim...todas as quartas feiras e todo dia 12 de cada mês relembro aquela noite cruel, e sofro muito ainda a imaginar o instante final do meu filho. Relembro o momento quando recebi aquela triste e inesperada noticia, de que meu filho sofrera um “acidente” e depois, passadas algumas horas me contam a cruel verdade: meu filho não resistira aos ferimentos...Pior ainda fiquei sabendo que meu filho havia sido assassinado.
No dia seguinte, ao te ver inerte em um ataúde, com os olhos fechados, a sensação era de desamparo e de orfandade...
Hoje, passados nove anos, ainda me lembro daquela noite em que recebi a notícia e do dia do velório e sepultamento. Importa dizer que a sensação é a mesma: de desamparo e de orfandade. Muitas vezes as lágrimas jorram sorrateiras fugindo ao meu controle..
O que muito me admira e constrange, é a atitude de algumas pessoas que não pensam na dor do outro...parecem não saber que um dia poderão estar passando pela mesma situação que estou passando, que este filho poderia ser seu... Não sabem estas pessoas, que depois de perder um filho, uma mãe tem o coração dilacerado, pois olha para dentro de si, e ver apenas dor e saudade. Saibam que o recomeço é muito difícil, viver cada dia após a morte de um filho, é uma conquista.
quarta-feira, abril 02, 2014
A DOR SUPREMA
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| A dor suprema |
Muitas pessoas não gostam de
me ouvir falar, nem de ler minhas postagens sobre meu filho falecido, pois
sentem medo de passar pela mesma situação que estou passando...de sentir a dor
que mais temem: A perda de um filho. Espero que nunca sintam o que eu
estou sentindo, pois a morte de meu filho foi e está sendo a minha experiência mais dolorosa...É
algo terrível e avassalador.
Então, não tente confortar uma
mãe enlutada contando-lhes histórias de tragédias, por exemplo, de mães que
perderam vários filhos...Ao contrário, deixe que esta mãe fale sobre o filho que perdeu...escute o que ela está dizendo com atenção, sem julgá-la, sem criticá-la...Tenha compaixão, mire-se no exemplo de Jesus ao chegar na casa de Lázaro...
A dor da perda de um filho será sempre igual. Não existe nada mais dramático para uma mãe que perdeu seu filho, seja ele um bebê, uma criança, um jovem ou adulto. Quem
nunca passou por esta dor não conseguirá mensurar esse sofrimento, nem sentirá
o que se passa na mente e no coração dessa mãe...A dor suprema sentida pela mãe
do Salvador!
terça-feira, março 25, 2014
12/01/2011: UMA QUARTA FEIRA TERRÍVEL E INESPERADA
Toda semana recordo aquela quarta feira 12/01/2011. Revivo todas as angústias, dores e tristezas daquela noite trágica. Revivo cada minuto, relembro cada detalhe do nosso dia, da nossa conversa na hora do almoço, da notícia do suposto acidente às 21 horas...da esperança que com o passar das horas ia dando lugar ao sentimento de morte, e do mecanismo de defesa - a negação de tudo aquilo que eu mais temia: a notícia mais cruel que já recebi em toda a minha vida: a morte de meu filho, meu filho não resistira aos ferimentos. Notícia anunciada assim por Selma, minha irmã: “infelizmente Nenem não resistiu aos ferimentos”. Ah meu Deus, sempre que a lembrança daquela quarta feira terrível e inesperada (12/01/2011) vier me atormentar, volta comigo até aquela noite...
MEU SORRISO ESCONDE UMA DOR E SAUDADE ENORME...
Depois que meu filho se foi, por trás do meu sorriso se esconde uma saudade enorme, uma dor dilacerante, que me faz chorar principalmente todas quartas e quintas feiras...ou quando escuto algumas músicas (Naquela mesa estar faltando ele e a saudade dele faz doer em mim) e outras . Penso no meu filho todos os dias, e cumpro a promessa que lhe fiz de continuar a viver sem ele.
Digo para aqueles que não passaram por esta cruel experiência: Uma mãe que sorri depois de uma dor "tão dolorosa"; uma mãe que apesar de querer morrer consegue sobreviver (e são muitas), merece consideração e respeito.
Consideração e respeito a todas nós que sobrevivemos à tamanha dor e saudade, algumas indignadas com a violência que causou a morte de nossos filhos, e com a impunidade que reforça a violência e protege quem comete estes crimes de morte.
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