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Desde aquele dia, 12/01/2011, depois da morte de meu filho, quando minhas mãos tocaram a face fria de meu filho e os meus olhos contemplaram o corpo inerte, sem vida de meu filho, que eu estou atravessando um vale de sombras. O fardo da tristeza é difícil de sustentar, e torna-se
ainda mais difícil carregá-lo porque nem todos entendem a minha dor, e até me
criticam...Alguns até entenderam no velório, ao lado da sepultura, no começo, alguns
meses após o ocorrido. Agora, não. Afastaram-se, parece que não me querem por
perto. Acho que não querem pensar que esta desventura que me atingiu pode
atingir qualquer pessoa...
Algumas pessoas não entendem porque o luto prolonga-se. Pois então eu vou dizer o
porquê de tamanha dor e tristeza. É que sorrateiramente, dentro de mim, as lembranças fluem e se colocam em minha vida embotando qualquer
vestígio de alegria, deixando em mim uma
sombra. Isto porque sei que fisicamente não mais ouvirei a voz do meu filho. Ouvirei apenas as canções que ela gostava...
Também não mais sentirei seu abraço apertado...que
me dava uma sensação de amparo. Não mais sentirei aquele cheiro peculiar da sua
cabeça: um cheiro de carneiro... Sentirei apenas o cheiro que ainda permanece
em suas roupas, e dos seus perfumes e do talco que ainda trago guardado...
O pesar
não me deixa, não me permite ser feliz, porque eu enterrei uma parte do meu ser...uma vida ainda com
muito para viver. Por isso a dor se prolonga, pois eu estou “lidando com amanhãs
não vividos”, com sonhos (dele e meus) não realizados, com palavras que não foram
ditas...
Algumas pessoas me dizem: “Deus fez o que era melhor”, ou, “Poderia ter sido pior”... Mas o que poderia ser pior para uma mãe do que a morte de um filho? E vítima de assassinato? Acho que todas as mães que perderam um filho de forma trágica e inesperada fazem esta pergunta.

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