domingo, novembro 14, 2010

EXCLUÍDAS DA VIDA...

Conheci recentemente nas ruas da Cidade do Natal, uma adolescente, que apesar de ter apenas quatorze anos, é mãe solteira e já tem dois filhos. Contou-me que durante a primeira infância, morou só com a mãe, já que o pai deixou a família logo após seu nascimento. Com apenas nove anos de idade, devido ao temperamento instável do irmão e da mãe, ambos viciados em crack, a menina saiu de casa e foi morar com o pai, com o qual morou pouco tempo, pois era frequentemente abusada sexualmente. E assim sem ter para onde ir, com apenas onze anos acabou perambulando pelas ruas e canteiros da Cidade de Natal, em busca de um meio de sobrevivência.
Aos doze anos de idade ficou grávida vítima de um estupro, e a partir de então, passou a viver nas ruas, onde começa a usar crak, e onde é explorada sexualmente.
Esta história expressa uma das consequências da desigualdade social presente na sociedade brasileira. Outra constatação decorrente desta realidade é a enorme dificuldade das ações assistenciais contribuírem efetivamente para inclusão social. Não se pode deixar de frisar a necessidade de se elaborar e desenvolver projetos sociais em que a essência seja a busca pela cidadania, e pelo direito das crianças e adolescentes terem um lar, uma escola, dignidade, serem respeitados, qualquer que seja sua classe social.
É importante que ações sociais eficientes e eficazes se espalhem no espaço público, e se tornem um projeto coletivo, para que consigam se conectar com a realidade e nela intervir, transformando essa realidade de crianças sem infância, de adolescentes excluídas da escola e da família...Excluídas da vida...













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